Que homem é esse, que tem por mim, um
cuidado, um amor que eu diria incondicional...Que homem é esse, que
apesar de mãos grandes e pesadas, me segura com tão doce segurança. Que
homem é esse, que às vezes passa horas ao meu lado, quando estou doente,
e zela por minha recuperação. Já me disseram que sou prisioneiro dentro
de uma bela gaiola. Que deveria estar livre, voando... Então por alguns
minutos pensei... Qual é o meu destino? Devo seguir a minha espécie e
voar? Será que estou indo contra a natureza? Então por alguns minutos
meditei... Quantas vezes esse homem cansado, após um dia difícil de
trabalho, cedeu a mim suas horas de descanso. E algumas vezes, ao cuidar
de meus amigos esqueceu minha gaiola aberta... E eu tive a oportunidade
de experimentar essa tal liberdade... Mas, ao voar, olhei para aquele
homem e, o vi, ali... De pé, me olhando com os olhos tristes e
lacrimejando. Que homem é esse que chora por mim, Que homem é esse que é
capaz de amar, mesmo eu não sendo de sua espécie. Que homem é esse que
se esquece de se alimentar, mas nunca se esquece de alimentar-me e nunca
se esquece dos meus remédios. Que liberdade é essa? Mas me sinto
prisioneiro deste homem. Mas me sinto contrariando meu destino. Recebo e
sinto que ele me ama e jamais irá maltratar-me, sei que gosta de mim.
Sim eu realmente tive a oportunidade de voar, mas... Esse homem me faz
sentir livre... E por tal motivo eu voltei... E canto... Canto... Porque
sou feliz... Porque sei que sou amado e não prisioneiro!Foto Hudson Maia

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